Funcionários da Sabesp são ameaçados em
bairros onde há falta d'água
De acordo com o sindicato da categoria, relatos de casos têm
aumentado nos últimos meses; empresa rechaça as denúncias
iG
São Paulo - Ameaças, intimidação e até cárcere privado. É com esses temores
que funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
(Sabesp) estão indo ao trabalho em bairros onde tem faltado água nos últimos
meses, período no qual a crise hídrica se agravou e os reservatórios atingiram
níveis sem precedentes. Na última sexta-feira, o nível do Sistema Cantareira — o
maior do país, responsável pelo abastecimento de 6,5 milhões de pessoas —,
chegou a alarmantes 3,9%, o menor índice de sua história.
"A população está inflamando, ameaça colocar fogo na viatura, prende a gente
na rua. Tem vários pontos de São Paulo que sabemos que se formos teremos
dificuldade para ir embora", diz Rodolfo*, responsável por manobras de registro,
nas quais abre e fecha a saída de água em áreas da região Oeste da Grande São
Paulo. "O governo fica falando que não tem racionamento, que tem água. Então as
pessoas acreditam. E quando a gente vai no lugar e precisa fechar a água,
automaticamente eles acham que a culpa é nossa."
Volume armazenado no Sistema Cantareira é o mais baixo da
história
Foto: Reuters
O trabalhador conta uma das situações mais complicadas com que já
se deparou, quando um jovem tentou entrar em sua viatura para arrancar a chave
da ignição do veículo. Subitamente, vizinhos também surgiram para dar ao morador
apoio para impedir que Rodolfo fosse embora, fazendo barricadas com fogo em
entulho na rua. "Na hora, não consegui pensar em outra coisa que não fosse
'agora estou ferrado'", desabafa ele. "Só consegui sair de lá porque o cara deu
bobeira e pude puxar o carro a milhão."
Também funcionário da área de manobra, Flávio* afirma que trabalhar na rua
tem se tornado cada vez mais dificil, especialmente com a intensificação da
divulgação sobre a crise hídrica paulista. "É aquela pressão dos moradores, que
falam besteira para os trabalhadores, xingam. É bem desconfortável", desabafa,
corroborado por outros três colegas de trabalho. "Você vai fazer manobra e já
começam a reclamar, falando que estamos fechando a água. Mas a crise da Sabesp
não é culpa do funcionário."
Apesar da frequência dos casos, as ameaças dificilmente são registradas pelos
funcionários em Boletins de Ocorrência por medo de retaliação da empresa.
Segundo os funcionários ouvidos pelo iG, existe uma orientação por parte da
Sabesp para que os problemas relacionados à falta d´água não sejam divulgados,
apesar de ser cada vez mais difícil de escondê-los. O Sindicato dos
Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema)
afirma incentivar os trabalhadores a registrarem as denúncias ao menos à
diretoria, mas raramente existe disposição de fazê-lo também por temor de
represálias no emprego.
"Há um medo generalizado de ir a certas áreas e ao mesmo tempo um receio em
se denunciar em relatórios que houve os ataques. Assim, o funcionário acaba não
oficializando a ameaça à Sabesp e a empresa fecha os olhos, falando que está
tudo uma maravilha", ressalta o presidente do Sistema, Rene Vicente dos Santos.
Ele diz que leva pessoalmente os relatos às chefias de cada zona onde os casos
acontecem. "O cara fica com medo de ser tachado de fazer corpo mole. E,
infelizmente, acredita nisso e acaba não relatando as ameaças como deveria."
Santos diz que o sindicato recebe relatos de todas as regiões da cidade —
Norte, Sul, Leste e Oeste. "Já chegaram algumas vezes a pegar os trabalhadores
da manobra e obrigá-los a ficar na rua até a água voltar. Não se chega a
agredir, mas as ameaças são constantes."
Para os funcionários, só há uma solução para se evitar a indignação da
população nas ruas: a transparência do governo em relação à gravidade da crise.
"Não tem essa de partido, de culpa de um, de outro. O fato é que não tem água, é
só abrir a torneira para ver", diz Rodolfo. "Se houvesse racionamento com
horários e dias definidos, a população entenderia. Não nos veria como
mentirosos, mas como parceiros."
Procurada pelo iG, a Sabesp nega ter recebido denúncias sobre ameaças a seus
funcionários. "A Sabesp informa que não há nenhum registro de violência a
empregados que tenha sido notificada pelo Sistema", resume em nota. *os nomes dos funcionários foram modificados para preservar sua
identidade Reportagem de David Shalom do iG
Está mais do que na hora do sindicato que no representa exigir da Cia que deixe claro a população a realidade da situação. Isto vai acontecer mas após o período eleitoral. Deus ajude e acampe os anjos ao redor de nossos companheiros de trabalho no momento que põe a cara a tapa na rua com uniformes e viaturas da Cia arriscando a sua integridade física. Corre na região que há grupos se preparando para invadir os pólos. E ae? O que acontece? Esta conivência tem que dar um tempo e colocar a segurança dos funcionários em primeiro plano.
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Está mais do que na hora do sindicato que no representa exigir da Cia que deixe claro a população a realidade da situação. Isto vai acontecer mas após o período eleitoral. Deus ajude e acampe os anjos ao redor de nossos companheiros de trabalho no momento que põe a cara a tapa na rua com uniformes e viaturas da Cia arriscando a sua integridade física. Corre na região que há grupos se preparando para invadir os pólos. E ae? O que acontece? Esta conivência tem que dar um tempo e colocar a segurança dos funcionários em primeiro plano.
ResponderExcluirconcordo plenamente!!!
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